Migrando para Linux? Softwares que você deveria conhecer.

[ ATUALIZADO: 2017-11-17. Quatro softwares adicionados como alternativa para MS Office, uma para suíte de criação de textos com um adendo para a versão Beta do Scrivener para Linux, e três na nova categoria de tradução assistida ]

Para fazer uma migração mais suave, sugiro que você faça uma lista de todos os programas que são essenciais na sua vida e pesquise no google quais alternativas são usadas no mundo Linux e então, se houver versões para Windows (o que geralmente existe), instale no seu pc e vá testando. Tente se acostumar e fazer no novo programa tudo o que você fazia no anterior.

Um erro comum de muito usuário Linux (e da sociedade num todo) é achar que todo mundo vai usar o computador da mesma forma que a gente. Por exemplo, gamers acham que ninguém escolhe Linux porque não existem muitos jogos portados, o que é duas vezes mentira: Primeiro porque existem muitos jogos portados para Linux (dá uma olhada aqui e aqui para drm-free); Segundo que muitas pessoas nem sequer jogam e se o fazem, provavelmente têm um console em casa (ou jogam no celular).
Outras pessoas que usam softwares como Adobe Premiere/After Effects, Vegas Pro, AutoCAD e etc, acham que ninguém escolhe Linux por não haver versão nativa desses programas, mas eles pecam em entender que a maioria esmagadora de usuários desktop não usa nenhum desses programas.

Vou citar exemplos próximos a mim, mas creio que você também deve conhecer pessoas assim ou até mesmo ser uma delas.

Minha mãe começou sua aventura em computadores com um notebook com Windows 7 Starter 32-bit. Eu sofri para conseguir ensiná-la o básico. Sabe para o que ela mais usava? Fazer pesquisa e ver vídeo (Youtube, Netflix e uns sites marotos de séries). Depois eu troquei de pc e passei o meu desktop antigo para ela porque o notebook já estava morrendo. Agora ela usa para ler livros (doc e pdf) e jogar uns joguinhos de puzzle e objetos escondidos que eu instalei pela steam. E, para a minha surpresa, a maioria dos jogos que coloquei para ela tem uma versão nativa para Linux. Ela está com o Windows 7 Ultimate 64-bit nesse pc, mas se por algum motivo eu precisasse instalar o Linux, não faria diferença porque o uso que ela faz é básico. Minha mãe não instala nada, não fuça nada e nem consegue aprender a plugar o pendrive para salvar fotos… Até música, ela ouve apenas no Youtube.

Creio que minha mãe seja um dos modelos mais comuns de usuários de pc, se não o mais comum.

O restante todo dos meus conhecidos só usa o pc para trabalho e estudo (uma suíte office resolve), Netflix, Youtube e pesquisa. Porque ler, jogar e ficar nas redes sociais é tudo feito pelo smartphone.
E, por mais incrível que possa parecer para nós que jogamos, renderizamos vídeo e construímos coisas, esse uso básico de um computador trata-se da maioria esmagadora de pessoas. E para esse uso, o Linux serve perfeitamente.

O mais longe que vi um usuário comum usar o Linux foi na loja de duas senhoras amigas da minha mãe. Não sei qual distribuição têm, mas sei que é um Linux e tem um programa de gerenciamento de estoque que eu também não faço idéia de qual seja. De resto, as pessoas que conheço não usam para nada além do básico.

Esse preâmbulo todo foi para explicar que para entrar no assunto da postagem propriamente dita, vou separar os usuários por Básico e Intermediário (eu me encontro nesta última e por isso não vou falar sobre o nível Avançado por não ter conhecimento dele).

Softwares que você deveria conhecer – Nível Básico

No Windows, você usa:
Uma suíte Office (provavelmente Microsoft Office);
Um programa para abrir documentos PDF (Adobe Acrobat Reader?);
Um navegador (Chrome ou Firefox, talvez o Edge?);
Um antivírus (AVG Free, Avira, Avast Free, McAfee Free, etc);
Um player de vídeo (Windows Player, Media Player Classic, etc);
Um player de música (pode ser um desses acima ou qualquer outro);
Paint (para salvar uma screenshot);
Um programa para abrir arquivos rar ou zip (WinRAR, 7-Zip, etc);
Um cliente Torrent para baixar uns filmes marotos (BitTorrent, uTorrent, etc);
Um pacote de codecs que seu amigo instalou para você (provavelmente K-Lite codecs);
Drivers, muitos drivers! Drivers everywhere!;

No Linux, você teria como substitutos:

MS Office -> LibreOffice, Calligra Suite, OnlyOffice, FreeOffice, EuroOffice, e WPS Office (este último por ter um suporte melhor a arquivos do MS Office, já que o Libre desconfigura um pouco a formatação);

Adobe Acrobat Reader -> Evince PDF (muitas vezes as distribuições Linux já vêm com um leitor pdf instalado por padrão, nem precisa se preocupar com isso);

Navegador -> Chrome, Firefox, Opera, Vivaldi… Todos têm versões nativas para Linux e o Firefox vem instalado por padrão em quase todas as distribuições;

Antivírus -> Não vem instalado por padrão (leia mais sobre vírus no Linux aqui), mas pode ser instalado pela central de aplicativos da distribuição que você vai usar;

Player de vídeo -> Geralmente, o que vem em todas as distros (distribuições) é o VLC Player, mas você pode instalar qualquer outro pela central;
Player de música -> idem;

Screenshot -> não precisa usar nenhum editor de imagem pois o Linux já tem um programa padrão que salva a screenshot como uma imagem jpg;

Arquivos zipados -> já vem instalado por padrão um gerenciador de pacotes zipados;

Cliente torrent -> também já vem instalado por padrão, mas você pode escolher outro pela central. Desnecessário;

Pacote de codecs -> Não precisa, quase tudo já é reconhecido naturalmente pelo Linux, mas talvez você precise instalar o ffmpeg e o LAV, falarei sobre isso mais adiante;

Drivers – já vem praticamente tudo instalado naturalmente (explico o praticamente mais adiante).

Qual distribuição para Nível Básico?

Por precisar instalar pouquíssima coisa e por experiência própria, recomendo Linux Mint, só há um porém. O Mint vem em 4 “sabores” (ou se ficar mais fácil de entender, “versões”): MATE, Cinnamon (este é o mais usado), KDE e XFCE. O que são essas “versões”? São as interfaces gráficas, a aparência do sistema operacional (por isso é chamado de “sabor”, ou em inglês “flavor”, porque não passa de uma questão de “gosto”, entendeu? :D). E, por experiência própria, eu recomendo o Mint com o KDE. Por quê? Bom, o MATE não é tão bonito assim e eu sei que para muitas pessoas a beleza importa. O Cinnamon ficou extremamente bugado comigo, imagine esses bugs todos na mão de um iniciante? O XFCE eu não usei, mas pelo que vi quando usei o Ubuntu com XFCE (carinhosamente chamado de Xubuntu), eu achei muito feio e confuso. Atualmente uso o Mint com o KDE e estou adorando. É bonito, leve (usa em torno de 0,5GB de ram ocioso contra 2,80GB de ram ocioso do Windows 7!), organizado e o projeto KDE possui vários programas próprios (desde um cliente Torrent até uma IDE para desenvolvimento de softwares!), ou seja, usando o Linux Mint com o KDE dificilmente algum programa de Nível Básico precisará ser instalado. É só formatar o computador e já está pronto para usar, não precisa instalar drivers e nem configurar a internet.

Ah, e ambos Firefox e Chrome têm um sistema de sincronização, então se você tem uma conta neles, todos os seus favoritos, emails, histórico, extensões e etc serão levados para o Linux assim que você se logar! 😀

Então se você é Nível Básico e quer migrar para o Linux por qualquer motivo que seja, recomendo que você instale no seu Windows esses programas que citei e tente fazer neles o que você faz nos que usa atualmente. Se tiver dificuldade, pode procurar por tutoriais no google ou no youtube, existe bastante material em português. E quando já não sentir mais falta dos outros programas, pode migrar para o Linux. 😀

Softwares que você deveria conhecer – Nível Intermediário

No Windows você usa todos do Nível Básico e mais:

Programa para gravar CDs e DVDs (Alcohol ou Nero);
Programa para anotações (provavelmente o Evernote);
Editor de imagens (Adobe Photoshop);
Editor vetorial (Adobe Illustrator ou Corel Draw);
Gerenciador de jogos (Steam, Origin, GOG Galaxy, Battle.NET, Uplay, etc);
Editor de texto para código se você trabalha com programação (Notepad++, talvez Sublime Text?);
Uma suíte para criação de livros e roteiros se essa for sua área (provavelmente Scrivener);
Uma ferramenta de tradução assistida [CAT] se essa for sua área (provavelmente Trados);
Um editor de vídeo simples para estudo ou trabalho ou o seu canal no Youtube (Adobe Premiere, Vegas Pro, Movie Maker);
Software para streaming ou gravação de vídeo (Fraps, Bandicam, Camtasia, Action, etc);

No Linux, você teria como substitutos:

Alcohol ou Nero -> K3b ou Brasero;

Evernote -> Simplenote*, Turtl, Laverna;

Photoshop -> Gimp, Krita (este só se você desenha, porque se for edição é melhor o Gimp);

Illustrator ou Corel Draw -> Inkscape (recomendo a versão 0.91 porque a 0.92 e 0.92.1 estão muito bugadas);

Gerenciador de jogos -> Steam (tem instalador nativo, mas falarei sobre ele mais adiante), GOG (o gerenciador não é nativo para Linux, mas os jogos são DRM-Free, então é só baixar o instalador, contanto que seja nativo) e Lutris (apesar de eu não ver utilidade em um gerenciador puro);

Editor de texto -> já vem instalado (no KDE é o Kate, em outras distros é o Gedit), mas você pode instalar outro pela central. Tem Sublime Text nativo e Atom (apesar de eu não ter conseguido configurar este último para funcionar com o Python);

Criação de livros e roteiros de cinema -> Bibisco e oStorybook para livros e KIT Scenarist para roteiros; [ Existe uma versão eternamente beta e gratuita do Scrivener para Linux. Foi feita por um membro da comunidade e havia a opção de fazer doações, mas o projeto morreu. No entanto, é perfeitamente funcional. Você pode encontrar aqui ]

CAT -> OmegaT, Lokalize e Zanata;

Editor de vídeo simples -> Shotcut, Openshot e Kdenlive;

Streaming -> OBS Studio;

[ * Sugiro que você leia os termos de privacidade do Simplenote e veja se concorda em ter suas informações vendidas para desenvolvedoras de terceiros ]

Infelizmente, não existe nada que se assemelhe ao Adobe After Effects e – pelo que ouvi falar, mas nunca testei – nenhum que suporte edição de áudio de uma maneira profissional. Mas como eu disse, essas pessoas são a exceção da regra.

A melhor maneira de descobrir programas para Linux que satisfazem suas necessidades é procurar alternativas opensource para o programa em questão. Por exemplo, se você trabalha com animação 2D e digitar no google “software 2D animation opensource”, o primeiro programa que aparece é o Synfig Studio. E caso você não queira ter trabalho de ficar procurando no google (sério mesmo que você é preguiçoso/a a esse ponto?) existe um site (em inglês) chamado AlternativeTo que serve exatamente para isso. Você digita o nome de um programa, seleciona a plataforma (linux, mac, android, etc) e a licença (comercial, free, opensource) e pronto, ele te dá uma lista imensa.

Ressalvas

Como eu disse, praticamente não é preciso instalar drivers ou codecs no Linux, mas pode ser que, dependendo do seu hardware, você precise. Para isso, no Linux Mint existe o gerenciador de drivers e você pode instalar por lá se houver necessidade. Em casos de codecs, geralmente com a atualização do sistema (feita pelo gerenciador de atualizações) já vem o codec ffmpeg na lista (o LAV ainda não precisei instalar, falei dele porque precisei instalá-lo no Windows para usar o Audacity). Por isso é raro ter de instalar alguma coisa manualmente, no sentido de caçar o bendito codec ou driver internet afora.

O instalador da Steam no site é muito bugado, não sei por quê. Quando instalei o Mint pela primeira vez, foi com o MATE e esse “sabor” já vem o cliente Steam instalado por padrão. Ele logou na minha conta normalmente, atualizou normalmente, mas quando fui instalar algum jogo, ele mandava os jogos para a fila de espera e não baixava. Cansei de apertar o botão “baixar agora” e voltava imediatamente para a fila de espera, ou seja, não funcionou. Depois cansei do MATE (sou muito sensível a cores, especialmente cinza, que é predominante em quase todas as interfaces gráficas), formatei e instalei o Cinnamon. Ficou bugado demais e não vinha com o cliente steam. Baixei direto do site, instalei, mas não iniciava. Depois instalei pela central de aplicativos e nada. Isso havia acontecido quando tentei instalar no Ubuntu, então eu já sabia que havia uma treta enorme (leia-se meia hora de comandos no terminal) para resolver, como não estava com paciência, deixei pra lá. Depois, numa última tentativa, formatei o Linux de novo e instalei o Mint com o KDE. Fiquei surpresa com todo o seu design bonito, agradável e intuitivo (mas deixa isso para outra postagem). Mint+KDE não vem com o cliente Steam, então procurei na central de aplicativos e instalei. Funcionou imediatamente e eu não entendi por quê. O ícone na bandeja do sistema é bugado, mas o cliente funciona perfeitamente, já instalei jogos e joguei numa boa.

Outra coisa que você pode fazer é criar uma máquina virtual (aqui e aqui) no próprio Windows, instalar o Linux nela e ir experimentando aos poucos, até você se acostumar e ganhar confiança para fazer a migração. 🙂

Todos os links que você precisa estão no próprio texto, é só clicar para abri-los numa nova janela.

Conclusão

Toda migração deve ser feita de maneira suave, salvo por motivo de força maior. Então se você quer migrar para uma distribuição Linux (não importa o motivo), pode usar essa técnica que usei: Instalar os programas no Windows primeiro e começar a migração por eles.

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Linux é o bombril da Assolan

linux bombril assolan

 

Aqui e aqui dois textos explicando a diferença entre software livre e open source. E aqui a história do software livre. É recomendado que você leia esses textos antes de seguir adiante.

Resumindo, a filosofia do software livre diz que devemos repudiar softwares proprietários e “optar” por softwares livres, ou seja, desenvolvidos pela comunidade. Mas, infelizmente, filosofia/ideologia + seres humanos, não é uma equação muito feliz. Sempre termina em tirania.

O que eu tenho visto por aí, são os seguidores mais fanáticos da ideologia do software livre agindo de forma agressiva e impositiva. Dizendo que não se pode usar determinados sistemas operacionais e nem qualquer software proprietário porque eles não são livres. Bom, se você leu os primeiros links, você deve ter entendido que uma das características, ou regras, para um software ser livre é ter seu código-fonte aberto para que seja modificado por qualquer um e distribuído livremente. Pois bem, nem todos são programadores ou têm vontade de modificar um código-fonte para qualquer propósito que seja.

Sim, concordo que foi por causa da ideologia do software livre que hoje podemos usufruir de sistemas operacionais e softwares completamente gratuitos. Não estou diminuindo a ideologia no sentido de inovação. De jeito nenhum. O que eu estou criticando, é a imposição de tal ideologia em dizer o que cada um usa ou deixa de usar.

Eu, como usuária final, quero um sistema operacional (SO) ou software que atenda às minhas necessidades de maneira rápida, prática, barata (se aplicável) e satisfatória. Eu não tenho intenção de ler o código-fonte de um SO ou software para modificá-lo com a finalidade de que ele funcione como eu gostaria. Sigo a mesma estrada de qualquer usuário final: Não atende às minhas necessidades de maneira satisfatória? Desinstalo e procuro outra opção. Simples.

No caso de um SO, em vez do Linux(*), os usuários finais optam pelo Windows (mesmo sendo pirata). Por quê? Porque ele já vem “pronto”(**), é fácil de usar(***) e atende a todas as necessidades do usuário final.

(*) Sabe a história do Gillette e do Bombril? Você não usa Gillette, você usa lâmina de barbear. Você não usa Bombril, você usa esponja de aço. E tem pessoas que vão ainda mais longe e usam o “bombril da Assolan”. Da mesma forma aconteceu com o “Linux”. O nome ideal seria “um sistema operacional baseado em GNU/Linux”, mas isso nunca vai acontecer porque o nome “Linux” já virou marca. Linux é o bombril da Assolan. E, por conta disso, para facilitar a minha vida, vou continuar me referindo a qualquer SO baseado em GNU/Linux como “Linux”, simplesmente.
(**) Grandessíssimas ressalvas e muitos Ss quanto a isso. Após uma formatação, o Windows não está pronto para ser usado porque é preciso instalar drivers e softwares essenciais. No caso das distribuições Linux (com algumas exceções), já vem tudo pré-instalado. Você formata e está pronto para usar. Não precisa ficar correndo atrás de drivers e lendo aquela listinha infinita com todos os seus softwares preferidos para instalar. Essas distribuições são chamadas de “out-of-the-box”.
(***) Só é fácil de usar porque todo mundo usa. Logo, a familiaridade é um elemento que pesa bastante na hora de escolher um SO.

Mas daí surge um punhado de pessoas e diz que esses SOs (leia aqui e aqui sobre plural de siglas e abreviaturas) e softwares não foram criados pensando no usuário final, mas no usuário programador. O usuário final que se dane.

comentário

Leia mais aqui

Bom, levando em consideração o surgimento de distribuições cada vez mais amigáveis ao usuário leigo como Ubuntu*, Linux Mint, Manjaro, Antergos e o próprio Kylin dos chineses, já mostra que essas pessoas estão erradas. Se o usuário final não fosse importante, não surgiriam cada vez mais distribuições dispostas a fazer todo o trabalho pesado para que o usuário não saia da sua zona de conforto do conhecido next-next-finish.
(*) As pessoas que estão iniciando no mundo Linux optam pelo Ubuntu por ser mais popular e ter mais tutoriais e soluções numa enorme comunidade. De fato, quando eu comecei, foi pelo Ubuntu também. Mas como constatei depois de alguns problemas, o Ubuntu não é tão amigável ao usuário iniciante como parece. Hoje uso Linux Mint e senti uma diferença enorme! Coisas que no Ubuntu eu, inevitavelmente, precisaria de várias linhas no terminal, faço rapidamente com poucos cliques pelos principais gerenciadores do Mint. Adoraria testar Manjaro e Antergos, mas não tenho mais espaço no HDD.

Como eu expliquei mais acima, nem todos os usuários são programadores e, não, nem todas as distribuições Linux são criadas exclusivamente para estes. E com isso em mente, vamos refletir sobre liberdade. De acordo com o Michaelis online:

LIBERDADE
Faculdade que tem o indivíduo de decidir pelo que mais lhe convém;
Autonomia para expressar-se conforme sua vontade;

Se eu opto por um SO ou software que carrega firmwares ou mesmo aplicações proprietárias, porque facilita a minha vida, então eu sou livre.
No entanto, se sou FORÇADA a usar determinado SO ou software simplesmente por não conter qualquer firmware ou mesmo aplicações proprietárias, seja por motivo de ideologia ou não, então eu não sou livre.

Veja bem, incluir softwares que espionam e mandam suas informações para empresas na intenção de vender publicidade (leia Ubuntu e Amazon) não é nada legal, mas a Canonical (empresa criadora do Ubuntu) já retirou a instalação padrão desse aplicativo, agora é opcional.

Como disse alguém em algum comentário que eu não consegui mais achar: A maioria das distribuições Linux requer entre 5GB e 10GB de espaço no HDD com drivers e softwares essenciais. Já o Windows requer 20GB no HDD sem drivers e sem softwares. O que tanto será que tem dentro do Windows que precisa de tanto espaço?
Bom, as respostas são inúmeras, desde arquitetura diferente até o sensacionalismo do “tudo para vigiar você!”.

Eu não me importo de usar o Mint sabendo que existem vários drivers, firmwares e aplicações proprietárias para que minha vida seja facilitada. Eu optei por facilidade e algumas aplicações não-livres. Eu poderia optar por ser 100% livre, mas aí eu não teria 100% de facilidade e minha prioridade é esta última já que assim, posso extrair o máximo de minha produtividade.

No caso dos softwares livres, foi opção, mas também desencargo de consciência. Pirataria não é legal e todos sabemos disso, mas qual a motivação por trás dela?

Infelizmente, não existe um único motivo para piratear. A pirataria é como uma piscina, não é uma gota d’água que vai encher, mas várias. Não existe um único motivo universal para a pirataria, mas um conjunto de motivos pessoais.

Podemos dizer que a maioria das pessoas que pirateia é porque não consegue comprar aquele software, seja por problemas financeiros ou políticos (no caso da China). Há também aqueles que pirateiam por ideologia; por ignorância; ou apenas para testar o software na falta de uma versão demo/teste/trial. Mas para este texto, vou me ater ao primeiro motivo: Não poder comprar a versão original e legal.

Até pouco tempo (3 anos, contando de 2017 para trás), eu usava o Photoshop CS2 pirata. Eu não tinha – e ainda não tenho – condições de pagar mensalmente pela assinatura da Adobe Suíte. Não sei como começou, mas descobri sobre open source e achei a iniciativa muito bacana. Procurando mais sobre ela, descobri softwares alternativos a esses mais famosos. Procurei por um que substituísse o Photoshop e descobri o Gimp. A adaptação demorou um pouco, mas hoje não me vejo mais usando Photoshop e nem me lembro mais como se fazia as coisas nele. Além disso, sinto-me melhor por estar agindo dentro da legalidade. Se pudesse, faria uma doação para os desenvolvedores do Gimp, mas infelizmente ainda não tenho meios para tal.

Na verdade, se me lembro bem, creio que tudo isso começou quando baixei o MS Office 2013 pirata e não funcionou direito (eu usava o 2007). Frustrada, fui procurar alternativas e descobri o LibreOffice e o Apache OpenOffice. Instalei ambos e fui testando. Infelizmente, na época eu fazia curso de inglês e toda semana era preciso entregar uma apresentação em slides que eu fazia no PowerPoint, e quando eu tentei converter minha apresentação no Libre e no Open, ficou totalmente deformada, impossível de usar. Decidi então continuar com o MS Office 2007 pirata até o fim do curso (já que eu não tinha tempo de aprender a mexer numa nova suíte) e depois mudar. Hoje uso o LibreOffice e estou muito bem, obrigada.

Tenho Linux Mint e Windows em dual-boot por causa de jogos (Steam, GOG, Origin, Uplay e alguns standalone) e dois softwares em particular que mesmo usando o wine não foi possível instalar: Marmoset Hexels 2 (está vinculado à minha steam, mas mesmo instalando esta pelo PlayOnLinux, o software acusa que não é compatível com a minha “versão”) e o app do Kindle (a versão de navegador diz que posso baixar para ler offline, mas sempre reseta quando fecho o navegador, inútil. E pelo wine aparece o erro de que não foi possível encontrar o Windows).

O interessante disso tudo, foi que eu desisti de um software que eu usava MUITO porque a empresa por trás dele se recusou a fazer uma versão para Linux: o Evernote. Fui assinante por 1 ano e gostava bastante do serviço, mas algumas coisas começaram a mudar (travamentos demais tanto para mobile quanto desktop e aumento de preço) e somado a isso veio uma indignação quando eu li a quantidade de plataformas com as quais o Evernote é compatível, mas não havia Linux.

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Você pode ver clicando aqui

Até relógio, mas nada de Linux.

Algumas pessoas dizem que o Linux só será bom quando tiver uma versão nativa da suíte Adobe, MS Office, AutoCAD, Sony Vegas e etc. Outras pessoas rebatem dizendo que se é para usar esses programas especificamente, então é melhor nem sair do Windows.

Bom, eu sou a favor de um equilíbrio e de uma liberdade mais próxima do seu conceito: você usa o que melhor lhe aprouver.

Se eu acho que as pessoas abandonariam as alternativas opensource se essas aplicações fossem nativas para Linux? Não. São pagas e, mesmo sendo nativas, as pessoas ou não iriam querer pagar ou não iriam concordar com isso. De qualquer forma, o opensource continuaria evoluindo firme e forte.
Veja bem, Windows é super pirateado e até razoavelmente fácil de se piratear, mas mesmo assim o Linux e outras alternativas opensource estão crescendo bastante e atraindo usuários que simplesmente querem uma boa alternativa sem ter de pagar e até mesmo admiradores da causa.

Em termos de jogos, creio que se o app da Steam fosse melhor desenvolvido (é, eu estou dizendo que o steam client para Linux é um horror), atrairia mais jogadores para o Linux. Eu simplesmente não consigo usar o steam client no Linux. Nenhum tutorial na internet me ajudou, não funciona de jeito nenhum. Instalei pelo PlayOnLinux (POL), funcionou um pouco, mas cheio de bug e nem sei como a Valve faz a estatística com pessoas usando pelo POL. O Mint traz o client instalado por padrão, mas de que adianta se não baixa nada? Os jogos ficam eternamente na fila de espera e não adianta eu apertar o botão para iniciar o download imediatamente, eles voltam instantaneamente para a fila de espera e ficam lá mofando.

Estou no aguardo do GOG Galaxy nativo para Linux, mas até lá…

Até a Google (empresa) trocou o Flash pelo HTML5 no seu navegador proprietário.

Acredito que o futuro não é de nenhuma cor específica, mas uma mistura de todas. Hibridização seria a palavra aqui, creio. E liberdade em seu conceito mais puro. Softwares livres com softwares proprietários. O usuário é quem dita suas próprias regras e não esta ou aquela organização.