Migrando para Linux? Softwares que você deveria conhecer.

Para fazer uma migração mais suave, sugiro que você faça uma lista de todos os programas que são essenciais na sua vida e pesquise no google quais alternativas são usadas no mundo Linux e então, se houver versões para Windows (o que geralmente existe), instale no seu pc e vá testando. Tente se acostumar e fazer no novo programa tudo o que você fazia no anterior.

Um erro comum de muito usuário Linux (e da sociedade num todo) é achar que todo mundo vai usar o computador da mesma forma que a gente. Por exemplo, gamers acham que ninguém escolhe Linux porque não existem muitos jogos portados, o que é duas vezes mentira: Primeiro porque existem muitos jogos portados para Linux (dá uma olhada aqui e aqui para drm-free); Segundo que muitas pessoas nem sequer jogam e se o fazem, provavelmente têm um console em casa (ou jogam no celular).
Outras pessoas que usam softwares como Adobe Premiere/After Effects, Vegas Pro, AutoCAD e etc, acham que ninguém escolhe Linux por não haver versão nativa desses programas, mas eles pecam em entender que a maioria esmagadora de usuários desktop não usa nenhum desses programas.

Vou citar exemplos próximos a mim, mas creio que você também deve conhecer pessoas assim ou até mesmo ser uma delas.

Minha mãe começou sua aventura em computadores com um notebook com Windows 7 Starter 32-bit. Eu sofri para conseguir ensiná-la o básico. Sabe para o que ela mais usava? Fazer pesquisa e ver vídeo (Youtube, Netflix e uns sites marotos de séries). Depois eu troquei de pc e passei o meu desktop antigo para ela porque o notebook já estava morrendo. Agora ela usa para ler livros (doc e pdf) e jogar uns joguinhos de puzzle e objetos escondidos que eu instalei pela steam. E, para a minha surpresa, a maioria dos jogos que coloquei para ela tem uma versão nativa para Linux. Ela está com o Windows 7 Ultimate 64-bit nesse pc, mas se por algum motivo eu precisasse instalar o Linux, não faria diferença porque o uso que ela faz é básico. Minha mãe não instala nada, não fuça nada e nem consegue aprender a plugar o pendrive para salvar fotos… Até música, ela ouve apenas no Youtube.

Creio que minha mãe seja um dos modelos mais comuns de usuários de pc, se não o mais comum.

O restante todo dos meus conhecidos só usa o pc para trabalho e estudo (uma suíte office resolve), Netflix, Youtube e pesquisa. Porque ler, jogar e ficar nas redes sociais é tudo feito pelo smartphone.
E, por mais incrível que possa parecer para nós que jogamos, renderizamos vídeo e construímos coisas, esse uso básico de um computador trata-se da maioria esmagadora de pessoas. E para esse uso, o Linux serve perfeitamente.

O mais longe que vi um usuário comum usar o Linux foi na loja de duas senhoras amigas da minha mãe. Não sei qual distribuição têm, mas sei que é um Linux e tem um programa de gerenciamento de estoque que eu também não faço idéia de qual seja. De resto, as pessoas que conheço não usam para nada além do básico.

Esse preâmbulo todo foi para explicar que para entrar no assunto da postagem propriamente dita, vou separar os usuários por Básico e Intermediário (eu me encontro nesta última e por isso não vou falar sobre o nível Avançado por não ter conhecimento dele).

Softwares que você deveria conhecer – Nível Básico

No Windows, você usa:
Uma suíte Office (provavelmente Microsoft Office);
Um programa para abrir documentos PDF (Adobe Acrobat Reader?);
Um navegador (Chrome ou Firefox, talvez o Edge?);
Um antivírus (AVG Free, Avira, Avast Free, McAfee Free, etc);
Um player de vídeo (Windows Player, Media Player Classic, etc);
Um player de música (pode ser um desses acima ou qualquer outro);
Paint (para salvar uma screenshot);
Um programa para abrir arquivos rar ou zip (WinRAR, 7-Zip, etc);
Um cliente Torrent para baixar uns filmes marotos (BitTorrent, uTorrent, etc);
Um pacote de codecs que seu amigo instalou para você (provavelmente K-Lite codecs);
Drivers, muitos drivers! Drivers everywhere!;

No Linux, você teria como substitutos:

MS Office -> LibreOffice e WPS Office (este último por ter um suporte melhor a arquivos do MS Office, já que o Libre desconfigura um pouco a formatação);

Adobe Acrobat Reader -> Evince PDF (muitas vezes as distribuições Linux já vêm com um leitor pdf instalado por padrão, nem precisa se preocupar com isso);

Navegador -> Chrome, Firefox, Opera, Vivaldi… Todos têm versões nativas para Linux e o Firefox vem instalado por padrão em quase todas as distribuições;

Antivírus -> Não vem instalado por padrão (leia mais sobre vírus no Linux aqui), mas pode ser instalado pela central de aplicativos da distribuição que você vai usar;

Player de vídeo -> Geralmente, o que vem em todas as distros (distribuições) é o VLC Player, mas você pode instalar qualquer outro pela central;
Player de música -> idem;

Screenshot -> não precisa usar nenhum editor de imagem pois o Linux já tem um programa padrão que salva a screenshot como uma imagem jpg;

Arquivos zipados -> já vem instalado por padrão um gerenciador de pacotes zipados;

Cliente torrent -> também já vem instalado por padrão, mas você pode escolher outro pela central. Desnecessário;

Pacote de codecs -> Não precisa, quase tudo já é reconhecido naturalmente pelo Linux, mas talvez você precise instalar o ffmpeg e o LAV, falarei sobre isso mais adiante;

Drivers – já vem praticamente tudo instalado naturalmente (explico o praticamente mais adiante).

Qual distribuição para Nível Básico?

Por precisar instalar pouquíssima coisa e por experiência própria, recomendo Linux Mint, só há um porém. O Mint vem em 4 “sabores” (ou se ficar mais fácil de entender, “versões”): MATE, Cinnamon (este é o mais usado), KDE e XFCE. O que são essas “versões”? São as interfaces gráficas, a aparência do sistema operacional (por isso é chamado de “sabor”, ou em inglês “flavor”, porque não passa de uma questão de “gosto”, entendeu? :D). E, por experiência própria, eu recomendo o Mint com o KDE. Por quê? Bom, o MATE não é tão bonito assim e eu sei que para muitas pessoas a beleza importa. O Cinnamon ficou extremamente bugado comigo, imagine esses bugs todos na mão de um iniciante? O XFCE eu não usei, mas pelo que vi quando usei o Ubuntu com XFCE (carinhosamente chamado de Xubuntu), eu achei muito feio e confuso. Atualmente uso o Mint com o KDE e estou adorando. É bonito, leve (usa em torno de 0,5GB de ram ocioso contra 2,80GB de ram ocioso do Windows 7!), organizado e o projeto KDE possui vários programas próprios (desde um cliente Torrent até uma IDE para desenvolvimento de softwares!), ou seja, usando o Linux Mint com o KDE dificilmente algum programa de Nível Básico precisará ser instalado. É só formatar o computador e já está pronto para usar, não precisa instalar drivers e nem configurar a internet.

Ah, e ambos Firefox e Chrome têm um sistema de sincronização, então se você tem uma conta neles, todos os seus favoritos, emails, histórico, extensões e etc serão levados para o Linux assim que você se logar! 😀

Então se você é Nível Básico e quer migrar para o Linux por qualquer motivo que seja, recomendo que você instale no seu Windows esses programas que citei e tente fazer neles o que você faz nos que usa atualmente. Se tiver dificuldade, pode procurar por tutoriais no google ou no youtube, existe bastante material em português. E quando já não sentir mais falta dos outros programas, pode migrar para o Linux. 😀

Softwares que você deveria conhecer – Nível Intermediário

No Windows você usa todos do Nível Básico e mais:

Programa para gravar CDs e DVDs (Alcohol ou Nero);
Programa para anotações (provavelmente o Evernote);
Editor de imagens (Adobe Photoshop);
Editor vetorial (Adobe Illustrator ou Corel Draw);
Gerenciador de jogos (Steam, Origin, GOG Galaxy, Battle.NET, Uplay, etc);
Editor de texto para código se você trabalha com programação (Notepad++, talvez Sublime Text?);
Uma suíte para criação de livros e roteiros se essa for sua área (provavelmente Scrivener);
Um editor de vídeo simples para estudo ou trabalho ou o seu canal no Youtube (Adobe Premiere, Vegas Pro, Movie Maker);
Software para streaming ou gravação de vídeo (Fraps, Bandicam, Camtasia, Action, etc);

No Linux, você teria como substitutos:

Alcohol ou Nero -> K3b ou Brasero;

Evernote -> Simplenote*, Turtl, Laverna;

Photoshop -> Gimp, Krita (este só se você desenha, porque se for edição é melhor o Gimp);

Illustrator ou Corel Draw -> Inkscape (recomendo a versão 0.91 porque a 0.92 e 0.92.1 estão muito bugadas);

Gerenciador de jogos -> Steam (tem instalador nativo, mas falarei sobre ele mais adiante), GOG (o gerenciador não é nativo para Linux, mas os jogos são DRM-Free, então é só baixar o instalador, contanto que seja nativo) e Lutris (apesar de eu não ver utilidade em um gerenciador puro);

Editor de texto -> já vem instalado (no KDE é o Kate, em outras distros é o Gedit), mas você pode instalar outro pela central. Tem Sublime Text nativo e Atom (apesar de eu não ter conseguido configurar este último para funcionar com o Python);

Criação de livros e roteiros de cinema -> Bibisco para livros e KIT Scenarist para roteiros;

Editor de vídeo simples -> Shotcut, Openshot e Kdenlive;

Streaming -> OBS Studio;

[ * Sugiro que você leia os termos de privacidade do Simplenote e veja se concorda em ter suas informações vendidas para desenvolvedoras de terceiros ]

Infelizmente, não existe nada que se assemelhe ao Adobe After Effects e – pelo que ouvi falar, mas nunca testei – nenhum que suporte edição de áudio de uma maneira profissional. Mas como eu disse, essas pessoas são a exceção da regra.

A melhor maneira de descobrir programas para Linux que satisfazem suas necessidades é procurar alternativas opensource para o programa em questão. Por exemplo, se você trabalha com animação 2D e digitar no google “software 2D animation opensource”, o primeiro programa que aparece é o Synfig Studio. E caso você não queira ter trabalho de ficar procurando no google (sério mesmo que você é preguiçoso/a a esse ponto?) existe um site (em inglês) chamado AlternativeTo que serve exatamente para isso. Você digita o nome de um programa, seleciona a plataforma (linux, mac, android, etc) e a licença (comercial, free, opensource) e pronto, ele te dá uma lista imensa.

Ressalvas

Como eu disse, praticamente não é preciso instalar drivers ou codecs no Linux, mas pode ser que, dependendo do seu hardware, você precise. Para isso, no Linux Mint existe o gerenciador de drivers e você pode instalar por lá se houver necessidade. Em casos de codecs, geralmente com a atualização do sistema (feita pelo gerenciador de atualizações) já vem o codec ffmpeg na lista (o LAV ainda não precisei instalar, falei dele porque precisei instalá-lo no Windows para usar o Audacity). Por isso é raro ter de instalar alguma coisa manualmente, no sentido de caçar o bendito codec ou driver internet afora.

O instalador da Steam no site é muito bugado, não sei por quê. Quando instalei o Mint pela primeira vez, foi com o MATE e esse “sabor” já vem o cliente Steam instalado por padrão. Ele logou na minha conta normalmente, atualizou normalmente, mas quando fui instalar algum jogo, ele mandava os jogos para a fila de espera e não baixava. Cansei de apertar o botão “baixar agora” e voltava imediatamente para a fila de espera, ou seja, não funcionou. Depois cansei do MATE (sou muito sensível a cores, especialmente cinza, que é predominante em quase todas as interfaces gráficas), formatei e instalei o Cinnamon. Ficou bugado demais e não vinha com o cliente steam. Baixei direto do site, instalei, mas não iniciava. Depois instalei pela central de aplicativos e nada. Isso havia acontecido quando tentei instalar no Ubuntu, então eu já sabia que havia uma treta enorme (leia-se meia hora de comandos no terminal) para resolver, como não estava com paciência, deixei pra lá. Depois, numa última tentativa, formatei o Linux de novo e instalei o Mint com o KDE. Fiquei surpresa com todo o seu design bonito, agradável e intuitivo (mas deixa isso para outra postagem). Mint+KDE não vem com o cliente Steam, então procurei na central de aplicativos e instalei. Funcionou imediatamente e eu não entendi por quê. O ícone na bandeja do sistema é bugado, mas o cliente funciona perfeitamente, já instalei jogos e joguei numa boa.

Outra coisa que você pode fazer é criar uma máquina virtual (aqui e aqui) no próprio Windows, instalar o Linux nela e ir experimentando aos poucos, até você se acostumar e ganhar confiança para fazer a migração. 🙂

Todos os links que você precisa estão no próprio texto, é só clicar para abri-los numa nova janela.

Conclusão

Toda migração deve ser feita de maneira suave, salvo por motivo de força maior. Então se você quer migrar para uma distribuição Linux (não importa o motivo), pode usar essa técnica que usei: Instalar os programas no Windows primeiro e começar a migração por eles.

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