Linux é o bombril da Assolan

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Aqui e aqui dois textos explicando a diferença entre software livre e open source. E aqui a história do software livre. É recomendado que você leia esses textos antes de seguir adiante.

Resumindo, a filosofia do software livre diz que devemos repudiar softwares proprietários e “optar” por softwares livres, ou seja, desenvolvidos pela comunidade. Mas, infelizmente, filosofia/ideologia + seres humanos, não é uma equação muito feliz. Sempre termina em tirania.

O que eu tenho visto por aí, são os seguidores mais fanáticos da ideologia do software livre agindo de forma agressiva e impositiva. Dizendo que não se pode usar determinados sistemas operacionais e nem qualquer software proprietário porque eles não são livres. Bom, se você leu os primeiros links, você deve ter entendido que uma das características, ou regras, para um software ser livre é ter seu código-fonte aberto para que seja modificado por qualquer um e distribuído livremente. Pois bem, nem todos são programadores ou têm vontade de modificar um código-fonte para qualquer propósito que seja.

Sim, concordo que foi por causa da ideologia do software livre que hoje podemos usufruir de sistemas operacionais e softwares completamente gratuitos. Não estou diminuindo a ideologia no sentido de inovação. De jeito nenhum. O que eu estou criticando, é a imposição de tal ideologia em dizer o que cada um usa ou deixa de usar.

Eu, como usuária final, quero um sistema operacional (SO) ou software que atenda às minhas necessidades de maneira rápida, prática, barata (se aplicável) e satisfatória. Eu não tenho intenção de ler o código-fonte de um SO ou software para modificá-lo com a finalidade de que ele funcione como eu gostaria. Sigo a mesma estrada de qualquer usuário final: Não atende às minhas necessidades de maneira satisfatória? Desinstalo e procuro outra opção. Simples.

No caso de um SO, em vez do Linux(*), os usuários finais optam pelo Windows (mesmo sendo pirata). Por quê? Porque ele já vem “pronto”(**), é fácil de usar(***) e atende a todas as necessidades do usuário final.

(*) Sabe a história do Gillette e do Bombril? Você não usa Gillette, você usa lâmina de barbear. Você não usa Bombril, você usa esponja de aço. E tem pessoas que vão ainda mais longe e usam o “bombril da Assolan”. Da mesma forma aconteceu com o “Linux”. O nome ideal seria “um sistema operacional baseado em GNU/Linux”, mas isso nunca vai acontecer porque o nome “Linux” já virou marca. Linux é o bombril da Assolan. E, por conta disso, para facilitar a minha vida, vou continuar me referindo a qualquer SO baseado em GNU/Linux como “Linux”, simplesmente.
(**) Grandessíssimas ressalvas e muitos Ss quanto a isso. Após uma formatação, o Windows não está pronto para ser usado porque é preciso instalar drivers e softwares essenciais. No caso das distribuições Linux (com algumas exceções), já vem tudo pré-instalado. Você formata e está pronto para usar. Não precisa ficar correndo atrás de drivers e lendo aquela listinha infinita com todos os seus softwares preferidos para instalar. Essas distribuições são chamadas de “out-of-the-box”.
(***) Só é fácil de usar porque todo mundo usa. Logo, a familiaridade é um elemento que pesa bastante na hora de escolher um SO.

Mas daí surge um punhado de pessoas e diz que esses SOs (leia aqui e aqui sobre plural de siglas e abreviaturas) e softwares não foram criados pensando no usuário final, mas no usuário programador. O usuário final que se dane.

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Bom, levando em consideração o surgimento de distribuições cada vez mais amigáveis ao usuário leigo como Ubuntu*, Linux Mint, Manjaro, Antergos e o próprio Kylin dos chineses, já mostra que essas pessoas estão erradas. Se o usuário final não fosse importante, não surgiriam cada vez mais distribuições dispostas a fazer todo o trabalho pesado para que o usuário não saia da sua zona de conforto do conhecido next-next-finish.
(*) As pessoas que estão iniciando no mundo Linux optam pelo Ubuntu por ser mais popular e ter mais tutoriais e soluções numa enorme comunidade. De fato, quando eu comecei, foi pelo Ubuntu também. Mas como constatei depois de alguns problemas, o Ubuntu não é tão amigável ao usuário iniciante como parece. Hoje uso Linux Mint e senti uma diferença enorme! Coisas que no Ubuntu eu, inevitavelmente, precisaria de várias linhas no terminal, faço rapidamente com poucos cliques pelos principais gerenciadores do Mint. Adoraria testar Manjaro e Antergos, mas não tenho mais espaço no HDD.

Como eu expliquei mais acima, nem todos os usuários são programadores e, não, nem todas as distribuições Linux são criadas exclusivamente para estes. E com isso em mente, vamos refletir sobre liberdade. De acordo com o Michaelis online:

LIBERDADE
Faculdade que tem o indivíduo de decidir pelo que mais lhe convém;
Autonomia para expressar-se conforme sua vontade;

Se eu opto por um SO ou software que carrega firmwares ou mesmo aplicações proprietárias, porque facilita a minha vida, então eu sou livre.
No entanto, se sou FORÇADA a usar determinado SO ou software simplesmente por não conter qualquer firmware ou mesmo aplicações proprietárias, seja por motivo de ideologia ou não, então eu não sou livre.

Veja bem, incluir softwares que espionam e mandam suas informações para empresas na intenção de vender publicidade (leia Ubuntu e Amazon) não é nada legal, mas a Canonical (empresa criadora do Ubuntu) já retirou a instalação padrão desse aplicativo, agora é opcional.

Como disse alguém em algum comentário que eu não consegui mais achar: A maioria das distribuições Linux requer entre 5GB e 10GB de espaço no HDD com drivers e softwares essenciais. Já o Windows requer 20GB no HDD sem drivers e sem softwares. O que tanto será que tem dentro do Windows que precisa de tanto espaço?
Bom, as respostas são inúmeras, desde arquitetura diferente até o sensacionalismo do “tudo para vigiar você!”.

Eu não me importo de usar o Mint sabendo que existem vários drivers, firmwares e aplicações proprietárias para que minha vida seja facilitada. Eu optei por facilidade e algumas aplicações não-livres. Eu poderia optar por ser 100% livre, mas aí eu não teria 100% de facilidade e minha prioridade é esta última já que assim, posso extrair o máximo de minha produtividade.

No caso dos softwares livres, foi opção, mas também desencargo de consciência. Pirataria não é legal e todos sabemos disso, mas qual a motivação por trás dela?

Infelizmente, não existe um único motivo para piratear. A pirataria é como uma piscina, não é uma gota d’água que vai encher, mas várias. Não existe um único motivo universal para a pirataria, mas um conjunto de motivos pessoais.

Podemos dizer que a maioria das pessoas que pirateia é porque não consegue comprar aquele software, seja por problemas financeiros ou políticos (no caso da China). Há também aqueles que pirateiam por ideologia; por ignorância; ou apenas para testar o software na falta de uma versão demo/teste/trial. Mas para este texto, vou me ater ao primeiro motivo: Não poder comprar a versão original e legal.

Até pouco tempo (3 anos, contando de 2017 para trás), eu usava o Photoshop CS2 pirata. Eu não tinha – e ainda não tenho – condições de pagar mensalmente pela assinatura da Adobe Suíte. Não sei como começou, mas descobri sobre open source e achei a iniciativa muito bacana. Procurando mais sobre ela, descobri softwares alternativos a esses mais famosos. Procurei por um que substituísse o Photoshop e descobri o Gimp. A adaptação demorou um pouco, mas hoje não me vejo mais usando Photoshop e nem me lembro mais como se fazia as coisas nele. Além disso, sinto-me melhor por estar agindo dentro da legalidade. Se pudesse, faria uma doação para os desenvolvedores do Gimp, mas infelizmente ainda não tenho meios para tal.

Na verdade, se me lembro bem, creio que tudo isso começou quando baixei o MS Office 2013 pirata e não funcionou direito (eu usava o 2007). Frustrada, fui procurar alternativas e descobri o LibreOffice e o Apache OpenOffice. Instalei ambos e fui testando. Infelizmente, na época eu fazia curso de inglês e toda semana era preciso entregar uma apresentação em slides que eu fazia no PowerPoint, e quando eu tentei converter minha apresentação no Libre e no Open, ficou totalmente deformada, impossível de usar. Decidi então continuar com o MS Office 2007 pirata até o fim do curso (já que eu não tinha tempo de aprender a mexer numa nova suíte) e depois mudar. Hoje uso o LibreOffice e estou muito bem, obrigada.

Tenho Linux Mint e Windows em dual-boot por causa de jogos (Steam, GOG, Origin, Uplay e alguns standalone) e dois softwares em particular que mesmo usando o wine não foi possível instalar: Marmoset Hexels 2 (está vinculado à minha steam, mas mesmo instalando esta pelo PlayOnLinux, o software acusa que não é compatível com a minha “versão”) e o app do Kindle (a versão de navegador diz que posso baixar para ler offline, mas sempre reseta quando fecho o navegador, inútil. E pelo wine aparece o erro de que não foi possível encontrar o Windows).

O interessante disso tudo, foi que eu desisti de um software que eu usava MUITO porque a empresa por trás dele se recusou a fazer uma versão para Linux: o Evernote. Fui assinante por 1 ano e gostava bastante do serviço, mas algumas coisas começaram a mudar (travamentos demais tanto para mobile quanto desktop e aumento de preço) e somado a isso veio uma indignação quando eu li a quantidade de plataformas com as quais o Evernote é compatível, mas não havia Linux.

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Você pode ver clicando aqui

Até relógio, mas nada de Linux.

Algumas pessoas dizem que o Linux só será bom quando tiver uma versão nativa da suíte Adobe, MS Office, AutoCAD, Sony Vegas e etc. Outras pessoas rebatem dizendo que se é para usar esses programas especificamente, então é melhor nem sair do Windows.

Bom, eu sou a favor de um equilíbrio e de uma liberdade mais próxima do seu conceito: você usa o que melhor lhe aprouver.

Se eu acho que as pessoas abandonariam as alternativas opensource se essas aplicações fossem nativas para Linux? Não. São pagas e, mesmo sendo nativas, as pessoas ou não iriam querer pagar ou não iriam concordar com isso. De qualquer forma, o opensource continuaria evoluindo firme e forte.
Veja bem, Windows é super pirateado e até razoavelmente fácil de se piratear, mas mesmo assim o Linux e outras alternativas opensource estão crescendo bastante e atraindo usuários que simplesmente querem uma boa alternativa sem ter de pagar e até mesmo admiradores da causa.

Em termos de jogos, creio que se o app da Steam fosse melhor desenvolvido (é, eu estou dizendo que o steam client para Linux é um horror), atrairia mais jogadores para o Linux. Eu simplesmente não consigo usar o steam client no Linux. Nenhum tutorial na internet me ajudou, não funciona de jeito nenhum. Instalei pelo PlayOnLinux (POL), funcionou um pouco, mas cheio de bug e nem sei como a Valve faz a estatística com pessoas usando pelo POL. O Mint traz o client instalado por padrão, mas de que adianta se não baixa nada? Os jogos ficam eternamente na fila de espera e não adianta eu apertar o botão para iniciar o download imediatamente, eles voltam instantaneamente para a fila de espera e ficam lá mofando.

Estou no aguardo do GOG Galaxy nativo para Linux, mas até lá…

Até a Google (empresa) trocou o Flash pelo HTML5 no seu navegador proprietário.

Acredito que o futuro não é de nenhuma cor específica, mas uma mistura de todas. Hibridização seria a palavra aqui, creio. E liberdade em seu conceito mais puro. Softwares livres com softwares proprietários. O usuário é quem dita suas próprias regras e não esta ou aquela organização.

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